À minha querida professora Conceição Flores,
Um textinho meu, cheio de alegria pelas boas surpresas que nos são proporcionadas por momentos como o de sexta-feira...
...antes de mais nada, preciso avisar: é tudo mentira!
Agora sim, posso começar o meu relato.
Vinha eu carregando o livro na mão toda orgulhosa da minha façanha. Tinha ganhado o livro do Carlos Fialho. Ele mesmo, em pessoa, ao vivo e a cores, me deu o presente - e ainda autografado, que maravilha!
Pois bem... assim vinha eu - alegre feito pinto na merda, como se diz - a caminho da parada do ônibus, na Roberto Freire, para voltar para casa (na zona norte) depois de um dia longo de trabalho. Eu realmente estava cansada. Poucas horas antes tentei contar o meu trajeto do dia (quase uma odisséia) para uma amiga e ela ficou cansada só de ouvir, nem me deixou terminar. Então poupá-lo-ei de contar a minha jornada neste dia. O fato é: nem me lembrava do cansaço de tão alegre-feliz-e-contente que estava com o MEU livro que acabara de ganhar!
Vamos lá - terceira vez... vinha eu caminhando até o ponto de ônibus... passei por uns colegas que participaram junto comigo da palestra do citado escritor e encostei-me no abrigo da parada para aguardar o ônibus. Isso com o livro na mão... Resolvi dar uma olhadinha na orelha do livro. PRA QUÊ?!? Começei a rir. Era impossível não rir. Era uma cena um tanto incomum, uma pessoa lendo um livro enquanto esperava o ônibus, e ainda rindo como se estivesse assistido o Monty Phyton. Mas tudo bem, quem liga se as pessoas estão olhando? Eu não ligo. Li a orelha todinha. Não me contive. Voltei um pouquinho para procurar os meus colegas que estavam próximos, os que eu tinha passado por eles. O Carlos Fialho sabia o que estava dizendo. Agora eu queria compartilhar aquilo; se eu me diverti, eu queria que as pessoas também se divertissem. "Olha isso aqui gente. Estou morrendo de rir... Lê aqui essa orelha." De repente meu colega estava a dar risadas também. Não é só o amor que é contagiante, o bom humor também. Então rimos nós três juntos. Eles gostaram muito, mas que peninha... o livro era MEU!!! Maldade Carlos... ainda bem que todo mundo é testemunha que você prometeu um exemplar do Verão-Veraneio para todos que estavam presentes, TODOS viu?!
Continuando... Depois desse momento de compartilhar um tiquinho do livro, peguei o ônibus. Que coincidência, duas colegas que trabalham comigo estavam vindo da labuta e me perguntaram de onde eu estava vindo. PRA QUÊ?!? Exultantemente fui eu contar da minha fantástica peripécia: participei de uma palestra com o CARLOS FIALHO (nem elas, nem eu há duas horas atrás sabia quem era tão distinta criatura) e o recheio do bolo: ganhei um livro. Ganhei um livro nããão; ganhei O LIVRO. O livro que eu quiz comprar assim que vi o Carlos falando dele. E começei a falar rápida e empolgadamente do livro, tal que as minhas colegas já ficaram curiosas. Pegaram o livro, deram uma olhadela e eu já fui 'obrigada' a emprestar assim que acabar de ler. Enfim, tive que descer do ônibus às pressas para pegar outro para a minha querida zona norte - mais precisamente para o conjunto Parque dos Coqueiros. Alguém aí sabe onde fica isso?
Enquanto esperava o segundo ônibus, entrei de capa a dentro e começei a degustar as palavras... Estava apetitoso! Mas, chegou o ônibus. Entro e... não tem cadeira vaga. Tive que ir em pé. Depois começou a encher. Mas quem liga? Nada me impediria de continuar lendo. Vai em pé mesmo! Um moço gentilmente me pediu a bolsa (que estava bem pesada!). Um cavalheiro teria me oferecido o lugar para sentar... não foi o caso. Quem mandou eu estar com uma cara 'alegre-feliz-e-contente'? Eu poderia estar demonstrando todo o meu cansaço do longo dia de trabalho e correria. Mas não... culpa do livro! E lá vinha eu: em pé, dentro de um ônibus lotado, agarrada com um livro, e o pior, sim, tem algo pior: rindo descaradamente. Que abuso! Que direito tenho eu de rir à toa em um ônibus lotado, num calor da moléstia, e ainda em pé depois de um dia de trabalho árduo? E o percurso era do Natal Shopping à zona norte, hein! É muita petulância de alma! Mas não satisfeita com este disparate, ainda cheguei em casa e depois de comer e beber, tinha que escrever essas linhas ao autor do livro. Por que ele tem que saber disso? Por que ele se interessaria por uma narração desta? Por quê? Pra quê? Não sei... "só sei que foi assim!"
Ah, quase ia esquecendo... é tudo verdade; exceto que a mentira está apenas na minha primeira afirmação.
É mentira que era tudo mentira.
(Escrito em 09 de novembro de 2010)
Cileide Cabral
Aluna de Letras da UnP
Passeio pelas letras que se inscrevem em mim, e isso se dá em meio às nuvens por entre as quais vagueio.
domingo, 19 de junho de 2011
Grata pela Graça
Aos meus amados amigos-amigas e irmãos-irmãs de caminhada,
Todos já devem estar cientes do nosso primeiro aniversário (agora já são 3 anos!). Parece que foi ontem. Mesmo!
Ainda posso sentir o clima daquela tarde no Parque das Dunas...
Para mim e em mim, um novo tempo se fez.
"Tempo de voltar ao início de tudo. Tempo de rever meus conceitos e valores. Tempo de reconstruir."
Parafraseando a canção que alegra meu coração.
Tempo de se buscar a Deus no cotidiano da vida.
Tempo de sorrir, de chorar, de aprender, de ensinar.
Tempo de viver a liberdade com que Cristo nos libertou e poder dizer: verdadeiramente somos livres.
Tempo de consciência, de maturidade na fé.
Tempo de olhar e enxergar o outro; de olhar e enxergar a si mesmo.
Tempo de Paz e da pacificação que em mim se faz.
Tempo de viver a Graça, de descobrir a graça que a Graça tem.
Tempo de amar, de gostar também e de querer bem.
Tempo de encontrar amigos, descobrir irmãos e se dar as mãos.
Tempo de ser; e ser exatamente quem se é.
Tempo de assumir-se perdoado, e dar de graça o perdão que de graça recebeu.
E dar amor de graça, o mesmo amor, que de graça recebeu.
E dar tudo mais de graça, da mesma graça que recebeu...
Esse é um tempo de revolução; de uma doce revolução.
Que pode revolucionar o mundo,
mas tem que começar no coração...
"Senhor Jesus, te sou grata pelas maravilhosas surpresas desse nosso tempo. Te sou grata por todos que tem sido acrescentados à minha vida neste último ano. Te sou grata pela vida e ministério do Pastor Caio Fábio, um homem que tem sido segundo o Teu coração, e tem nos falado tanto de Ti, de uma forma tão bela e profunda, que só tem aumentado o meu desejo de te conhecer e te amar cada dia mais. Te sou grata pela vida; pela família; pelos amigos e irmãos. Presentes que eu não merecia, mas agradou ao Senhor assim me abençoar."
Amém
Cileide
Todos já devem estar cientes do nosso primeiro aniversário (agora já são 3 anos!). Parece que foi ontem. Mesmo!
Ainda posso sentir o clima daquela tarde no Parque das Dunas...
Para mim e em mim, um novo tempo se fez.
"Tempo de voltar ao início de tudo. Tempo de rever meus conceitos e valores. Tempo de reconstruir."
Parafraseando a canção que alegra meu coração.
Tempo de se buscar a Deus no cotidiano da vida.
Tempo de sorrir, de chorar, de aprender, de ensinar.
Tempo de viver a liberdade com que Cristo nos libertou e poder dizer: verdadeiramente somos livres.
Tempo de consciência, de maturidade na fé.
Tempo de olhar e enxergar o outro; de olhar e enxergar a si mesmo.
Tempo de Paz e da pacificação que em mim se faz.
Tempo de viver a Graça, de descobrir a graça que a Graça tem.
Tempo de amar, de gostar também e de querer bem.
Tempo de encontrar amigos, descobrir irmãos e se dar as mãos.
Tempo de ser; e ser exatamente quem se é.
Tempo de assumir-se perdoado, e dar de graça o perdão que de graça recebeu.
E dar amor de graça, o mesmo amor, que de graça recebeu.
E dar tudo mais de graça, da mesma graça que recebeu...
Esse é um tempo de revolução; de uma doce revolução.
Que pode revolucionar o mundo,
mas tem que começar no coração...
"Senhor Jesus, te sou grata pelas maravilhosas surpresas desse nosso tempo. Te sou grata por todos que tem sido acrescentados à minha vida neste último ano. Te sou grata pela vida e ministério do Pastor Caio Fábio, um homem que tem sido segundo o Teu coração, e tem nos falado tanto de Ti, de uma forma tão bela e profunda, que só tem aumentado o meu desejo de te conhecer e te amar cada dia mais. Te sou grata pela vida; pela família; pelos amigos e irmãos. Presentes que eu não merecia, mas agradou ao Senhor assim me abençoar."
Amém
Cileide
sábado, 13 de fevereiro de 2010
To be or no to be?
De ambiguidades, de polaridades, de obscuridades estamos cheios. Ou seria, estamos/somos esvaziados? Pois a cada dia mais, creio que as coisas que são, são aquelas que trazem bem e vida para a vida-existência do ser humano. As coisas que destroem, anulam, esvaziam são justamente as que não são. E como nós teimamos em não ser, ao invés de ser. É... Ser ou não ser? Eis a questão!
Difícil de entender? Vejamos, o que é e o que não é: a luz é o que é, a escuridão é o que não é. A escuridão em si mesma é nada. A luz é. Onde a luz chega, as trevas se dissipam. É assim que é. Crê-se que assim também é com o bem e o mal. O bem é o que é. O mal, é a ausência do bem. Se há bem presente, porque o mal sobreviveria? Bem, aqui tenho minhas dúvidas, pois Deus criou a ambos. Mas isso é tema pra outra ocasião...
Creio que Jesus nos chama à consistência de tudo que é, e essas coisas são justamente o que tem a ver com vida, com graça, com luz, com amor. Mas, não, nós não queremos. Desprezamos a árvore da Vida que é Vida, e queremos descobrir os 'mistérios' do desconhecido, das obscuridades, só pra ficar sabendo e conhecendo o que não é, e o que não somos ou deixamos de ser. Desde o Éden, nós firmamos nosso olhar e desejos naquilo que não é, ou seja, no que nos traz morte. A Árvore da Vida significava SER, a do Conhecimento do Bem e do mal, NÃO SER.
Escolhemos não ser. É, somos suicidas mesmo! Assim, fomos imersos na escuridão e ficamos à mercê de todas as mazelas que dela decorrem. E é nesse 'tatear' em meio à escuridão, que nos preocupamos com tropeços em pedras, com prováveis quedas, com possíveis buracos que venham a nos tragar. Trocando em miúdos, nos preocupamos com o que é certo ou errado, com a lei e o pecado, com o que nos mata ou poderia nos matar! O medo é nosso guia. A vergonha é nossa companheira de viagem. A morte é a nossa pseudo-certeza.
Mas há um Evangelho a ser pregado, há uma Graça a ser conhecida, há a Boa Notícia a ser anunciada: A morte foi tragada. Ela foi engolida pela Vida. A morte torna-se uma preocupaçãozinha tola para quem tem a Vida habitando dentro de si. A Vida tomou a todos e os resgatou de volta ao seu Criador! A Luz veio ao mundo, iluminar a todo o que crer, e mostrar que o Caminho é apenas o Caminho para se chegar lá, e não pode ele, o Caminho, nos levar a outro fim, que não seja o Pai. O lugar de onde nos estraviamos, de onde e de quem nos destituímos. A todos quantos receberam esta luz, já não tem como caminhar em trevas, elas simplesmente se dissiparam. Agora, é a fé quem nos guia. A pacificação vai sendo a companheira da viagem. E a Vida Eterna é nossa certeza tanto quanto o chão em que se pisa.
Assim, o que quer que seja em mim, que expresse sombras, obscuridades, coisas que não são, precisam ser trazidas para a Luz, para que se manifeste o que é. E o que é, será sempre bom, ou ao menos, sendo mau será bom o bastante para que se realize o bem em mim. Isso é andar na Luz. Isso é andar no Caminho-Luz-Jesus.
Eu, Nele, que é o EU SOU O QUE SOU e a Luz do mundo.
Cileide
Difícil de entender? Vejamos, o que é e o que não é: a luz é o que é, a escuridão é o que não é. A escuridão em si mesma é nada. A luz é. Onde a luz chega, as trevas se dissipam. É assim que é. Crê-se que assim também é com o bem e o mal. O bem é o que é. O mal, é a ausência do bem. Se há bem presente, porque o mal sobreviveria? Bem, aqui tenho minhas dúvidas, pois Deus criou a ambos. Mas isso é tema pra outra ocasião...
Creio que Jesus nos chama à consistência de tudo que é, e essas coisas são justamente o que tem a ver com vida, com graça, com luz, com amor. Mas, não, nós não queremos. Desprezamos a árvore da Vida que é Vida, e queremos descobrir os 'mistérios' do desconhecido, das obscuridades, só pra ficar sabendo e conhecendo o que não é, e o que não somos ou deixamos de ser. Desde o Éden, nós firmamos nosso olhar e desejos naquilo que não é, ou seja, no que nos traz morte. A Árvore da Vida significava SER, a do Conhecimento do Bem e do mal, NÃO SER.
Escolhemos não ser. É, somos suicidas mesmo! Assim, fomos imersos na escuridão e ficamos à mercê de todas as mazelas que dela decorrem. E é nesse 'tatear' em meio à escuridão, que nos preocupamos com tropeços em pedras, com prováveis quedas, com possíveis buracos que venham a nos tragar. Trocando em miúdos, nos preocupamos com o que é certo ou errado, com a lei e o pecado, com o que nos mata ou poderia nos matar! O medo é nosso guia. A vergonha é nossa companheira de viagem. A morte é a nossa pseudo-certeza.
Mas há um Evangelho a ser pregado, há uma Graça a ser conhecida, há a Boa Notícia a ser anunciada: A morte foi tragada. Ela foi engolida pela Vida. A morte torna-se uma preocupaçãozinha tola para quem tem a Vida habitando dentro de si. A Vida tomou a todos e os resgatou de volta ao seu Criador! A Luz veio ao mundo, iluminar a todo o que crer, e mostrar que o Caminho é apenas o Caminho para se chegar lá, e não pode ele, o Caminho, nos levar a outro fim, que não seja o Pai. O lugar de onde nos estraviamos, de onde e de quem nos destituímos. A todos quantos receberam esta luz, já não tem como caminhar em trevas, elas simplesmente se dissiparam. Agora, é a fé quem nos guia. A pacificação vai sendo a companheira da viagem. E a Vida Eterna é nossa certeza tanto quanto o chão em que se pisa.
Assim, o que quer que seja em mim, que expresse sombras, obscuridades, coisas que não são, precisam ser trazidas para a Luz, para que se manifeste o que é. E o que é, será sempre bom, ou ao menos, sendo mau será bom o bastante para que se realize o bem em mim. Isso é andar na Luz. Isso é andar no Caminho-Luz-Jesus.
Eu, Nele, que é o EU SOU O QUE SOU e a Luz do mundo.
Cileide
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Ser diferente, é ser igual a Jesus
Eu sempre ouvia:
-Crente tem que ser diferente! Tem que mostrar ao mundo que é diferente!
(No Vocabulário do Crente, diferente quer dizer: parecer mais santo por meio da aparência.)
Mas eu me perguntava:
-O que o fato de eu ser diferente (mais santa pela exterioridade) vai fazer com que as pessoas ao meu redor queiram conhecer Jesus?
Porque, para eles, ser diferente significa andar vestido diferente das demais pessoas (sim, vejam como eu sou diferente de vocês, como eu sou mais santo que vocês!); significa ter uma aparência de santidade por meio das exterioridades (como se uma performance indique quem seja mais ou menos santo...) Porque também o ser diferente do mundo, significa ser, todo mundo que não 'seja do mundo' igualzinho; parece um monte de robozinho, com o mesmo cabelinho, o mesmo jeitinho... Onde fica a individualidade divina, bela e graciosa com a qual Deus nos criou e nos pôs no mundo assim? Ou ainda, quando se fala em ser diferente pelas qualidades internas como o amor, o perdão, a misericórdia,etc... Não é ensinado que dependemos de Deus e de sua Graça para sermos assim... não!!! Você tem que ser assim! Ou seja, você não é assim, mas tem que ser! Mais uma vez, é a performance, não o que você seja de fato.
E a confusão estava feita: ou eu sou diferente do mundo e sou igualzinha a esse povo surtado e manipulado, ou eu sou diferente deles e me torno igual ao 'mundo'. Para a ''igreja'' as opções são essas, A e B. Ou você é diferente do mundo (e igualzinho a nós) ou você é diferente de nós ( e igualzinha ao mundo).
Como - graças a Deus, eu sou eu, e Jesus é meu Caminho, Verdade e Vida, a minha alternativa era: eu não sou igual ao mundo porque não me conformo com ele; não sou igual a eles, os 'crentes' porque não sou manipulável como eles; eu sou única como Deus me fez e quero ser parecida com Jesus. Jesus não foi igual a ninguém, mas se identificou com todo ser humano que encontrou pelo caminho por causa do Amor que lhe era nato.
Que eu saiba, a única coisa que Jesus disse que nos identificaria como seus discíupulos, foi o amor: ''...e saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros.'' Pronto! Essa é diferença que identifica se alguém é do Senhor ou não.
Ele não disse: ''...e saberão que sois meus discípulos se vos vestirdes espalhafatosamente diferentes dos demais; ou vos vestirdes com roupas mais sóbrias e apropriadamente mais santas que os demais.'' Parece ridículo, mas é o que ensinam nas ''igrejas''. É um falso evangelho. É doutrina de homens.
Eu? Bem, eu fico com o que Jesus disse e viveu. Eu quero ser como ele. Parecida com ele: não igual a ninguém, única, mas me identificando com todo ser humano, pela via do Amor. Amor que vem do Pai, chegou a nós por intermédio do Filho e é derramado em nossos corações através do Espírito Santo.
Amém!
-Crente tem que ser diferente! Tem que mostrar ao mundo que é diferente!
(No Vocabulário do Crente, diferente quer dizer: parecer mais santo por meio da aparência.)
Mas eu me perguntava:
-O que o fato de eu ser diferente (mais santa pela exterioridade) vai fazer com que as pessoas ao meu redor queiram conhecer Jesus?
Porque, para eles, ser diferente significa andar vestido diferente das demais pessoas (sim, vejam como eu sou diferente de vocês, como eu sou mais santo que vocês!); significa ter uma aparência de santidade por meio das exterioridades (como se uma performance indique quem seja mais ou menos santo...) Porque também o ser diferente do mundo, significa ser, todo mundo que não 'seja do mundo' igualzinho; parece um monte de robozinho, com o mesmo cabelinho, o mesmo jeitinho... Onde fica a individualidade divina, bela e graciosa com a qual Deus nos criou e nos pôs no mundo assim? Ou ainda, quando se fala em ser diferente pelas qualidades internas como o amor, o perdão, a misericórdia,etc... Não é ensinado que dependemos de Deus e de sua Graça para sermos assim... não!!! Você tem que ser assim! Ou seja, você não é assim, mas tem que ser! Mais uma vez, é a performance, não o que você seja de fato.
E a confusão estava feita: ou eu sou diferente do mundo e sou igualzinha a esse povo surtado e manipulado, ou eu sou diferente deles e me torno igual ao 'mundo'. Para a ''igreja'' as opções são essas, A e B. Ou você é diferente do mundo (e igualzinho a nós) ou você é diferente de nós ( e igualzinha ao mundo).
Como - graças a Deus, eu sou eu, e Jesus é meu Caminho, Verdade e Vida, a minha alternativa era: eu não sou igual ao mundo porque não me conformo com ele; não sou igual a eles, os 'crentes' porque não sou manipulável como eles; eu sou única como Deus me fez e quero ser parecida com Jesus. Jesus não foi igual a ninguém, mas se identificou com todo ser humano que encontrou pelo caminho por causa do Amor que lhe era nato.
Que eu saiba, a única coisa que Jesus disse que nos identificaria como seus discíupulos, foi o amor: ''...e saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros.'' Pronto! Essa é diferença que identifica se alguém é do Senhor ou não.
Ele não disse: ''...e saberão que sois meus discípulos se vos vestirdes espalhafatosamente diferentes dos demais; ou vos vestirdes com roupas mais sóbrias e apropriadamente mais santas que os demais.'' Parece ridículo, mas é o que ensinam nas ''igrejas''. É um falso evangelho. É doutrina de homens.
Eu? Bem, eu fico com o que Jesus disse e viveu. Eu quero ser como ele. Parecida com ele: não igual a ninguém, única, mas me identificando com todo ser humano, pela via do Amor. Amor que vem do Pai, chegou a nós por intermédio do Filho e é derramado em nossos corações através do Espírito Santo.
Amém!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Um Salmo de Cileide
Deus meu, Deus meu, não me desampares.
Não me deixes cair. Não me deixes, Senhor, por minha conta e risco.
Por favor, Senhor meu, que a Tua misericórdia me alcance todos os dias e que por Tua Graça eu seja sustentada até o fim dos meus dias na terra.
Senhor, ouve o clamor do meu coração. Os conflitos dentro de mim são tamanhos que às vezes penso que não sobreviverei a eles.
Minha carne luta com meu espírito, e desvairadamente, canta vitória antes do tempo.
Minha alma está confusa, estonteante, massacrada; todavia, anelante pelo bem que vem de Ti,ó Deus!
Como me pesa passar pelos processos, pelo caos necessário para que venha a atingir a ordem, a plenitude, a beleza do ser.
Nesse vale da sombra da morte, a sombra da morte me assombra mesmo! Quer me fazer acreditar que a morte me tomará.
Mas sei - de algum modo estranho e acalentador, eu sei, que Tu Senhor, estás comigo. Não apenas creio, mas sei dessas coisas, dentro de mim.
E assim, mesmo em meio à tormenta e ao caos instalado em mim, o meu espírito decide lutar a guerra da paz, que é descansar em Ti.
E como a terra sem forma e vazia, aguardava o Teu 'Haja Luz!', assim também espero eu; Que haja Luz em mim. O Teu Espírito se mova sobre mim e dentro de mim!
Enquanto isso, algo se move em Ti, e O move em direção a mim. Ó Deus, agora me alegro por saber que é o Teu Amor por mim que o move em minha direção.
Fico maravilhada em contemplar o teu agir, o teu criar, o teu cuidar... Por que tudo é realizado por uma única via: o teu Amar!
Por isso, Deus meu, como me separarei do Teu Amor? Como poderei eu existir fora do alcance do teu Amor? Como conseguiria eu, fugir de tal Amor? Declaro hoje a minha total incapacidade de escapar desse Amor.
Ó Deus, como preciso de Ti. Mais do que tudo que eu possa imaginar, mais do que o ar que eu preciso respirar...
Meu Deus, não me deixes pensar que ficaria desamparada, porque isso não é mais possível a mim, tendo em vista que o Teu Filho Jesus, já se sentiu desamparado por Ti, na cruz, por minha causa.
Ó meu Deus, ouve o grito do meu coração. Vem, Senhor, em meu socorro.
Amém!
Não me deixes cair. Não me deixes, Senhor, por minha conta e risco.
Por favor, Senhor meu, que a Tua misericórdia me alcance todos os dias e que por Tua Graça eu seja sustentada até o fim dos meus dias na terra.
Senhor, ouve o clamor do meu coração. Os conflitos dentro de mim são tamanhos que às vezes penso que não sobreviverei a eles.
Minha carne luta com meu espírito, e desvairadamente, canta vitória antes do tempo.
Minha alma está confusa, estonteante, massacrada; todavia, anelante pelo bem que vem de Ti,ó Deus!
Como me pesa passar pelos processos, pelo caos necessário para que venha a atingir a ordem, a plenitude, a beleza do ser.
Nesse vale da sombra da morte, a sombra da morte me assombra mesmo! Quer me fazer acreditar que a morte me tomará.
Mas sei - de algum modo estranho e acalentador, eu sei, que Tu Senhor, estás comigo. Não apenas creio, mas sei dessas coisas, dentro de mim.
E assim, mesmo em meio à tormenta e ao caos instalado em mim, o meu espírito decide lutar a guerra da paz, que é descansar em Ti.
E como a terra sem forma e vazia, aguardava o Teu 'Haja Luz!', assim também espero eu; Que haja Luz em mim. O Teu Espírito se mova sobre mim e dentro de mim!
Enquanto isso, algo se move em Ti, e O move em direção a mim. Ó Deus, agora me alegro por saber que é o Teu Amor por mim que o move em minha direção.
Fico maravilhada em contemplar o teu agir, o teu criar, o teu cuidar... Por que tudo é realizado por uma única via: o teu Amar!
Por isso, Deus meu, como me separarei do Teu Amor? Como poderei eu existir fora do alcance do teu Amor? Como conseguiria eu, fugir de tal Amor? Declaro hoje a minha total incapacidade de escapar desse Amor.
Ó Deus, como preciso de Ti. Mais do que tudo que eu possa imaginar, mais do que o ar que eu preciso respirar...
Meu Deus, não me deixes pensar que ficaria desamparada, porque isso não é mais possível a mim, tendo em vista que o Teu Filho Jesus, já se sentiu desamparado por Ti, na cruz, por minha causa.
Ó meu Deus, ouve o grito do meu coração. Vem, Senhor, em meu socorro.
Amém!
domingo, 9 de agosto de 2009
Tô nem aí... nem aqui...
Há quanto tempo não escrevo... É isso mesmo: tô nem aí; nem aqui...
Estou num momento 'relax' por assim dizer. Parece que até as idéias deram um tempo aqui dentro da minha caixola. Será que é porque eu não ando exercitando os neurônios?
Antes de eu fazer fazer esse blog, me vinham tantas idéias, tantos insights , tantas 'revelações' que me fervilhavam o coração...
Agora... Bem, agora é como se tudo estivesse ainda aqui, mas não fazem a mínima questão de se mostrar, de se expor. Isso soa meio estranho pra quem pretende ter um blog. Afinal, a idéia é justamente expor o que se pensa. Ou não? É, parece que continuo com aquele desinteresse que manifestei na minha primeira postagem (rolar abaixo).
Acho que isso se deve ao processo em que venho passando; às coisas que tenho lido; à descontrução de paranóias; e principalmente à consciência tranquila que não sente necessidade alguma de se fazer notar - nem pelo que se pensa!
Sim, porque há aqueles que sentem a necessidade de expor seus corpos; há o que preferem expor seus gostos musicais, ou cinematográficos, ou poéticos... ou ainda, os que tem o desejo narcisista de expressar sua idéias polêmicas, desafiadoras, apaixonadas e nada originais( na maioria das vezes ).
Eu não!!! Se me perguntarem, respondo. Se puxarem assunto, eu embarco. Se não, não.
Podem chamar de preguiça existencial. Será que é isso? O mundo hoje aplaude o Pró-ativo, o Re-ativo está fora de moda e fora do mercado de trabalho, diga-se de passagem... Bem, no campo profissional, eu ainda estou na batalha...
O fato é: estou preferindo ler, ao invés de escrever; ouvir, ao invés de falar; absorver, em vez de exprimir; observar, em vez de se fazer notar...
Uma coisa tenho buscado: ser em vez de dizer que sou; viver em lugar de falar de como seja a vida; e ir caminhando, Nele que é O Caminho, A Verdade e A Vida.
No mais... creio que minhas forças serão renovadas. E isso, também Nele.
Estou num momento 'relax' por assim dizer. Parece que até as idéias deram um tempo aqui dentro da minha caixola. Será que é porque eu não ando exercitando os neurônios?
Antes de eu fazer fazer esse blog, me vinham tantas idéias, tantos insights , tantas 'revelações' que me fervilhavam o coração...
Agora... Bem, agora é como se tudo estivesse ainda aqui, mas não fazem a mínima questão de se mostrar, de se expor. Isso soa meio estranho pra quem pretende ter um blog. Afinal, a idéia é justamente expor o que se pensa. Ou não? É, parece que continuo com aquele desinteresse que manifestei na minha primeira postagem (rolar abaixo).
Acho que isso se deve ao processo em que venho passando; às coisas que tenho lido; à descontrução de paranóias; e principalmente à consciência tranquila que não sente necessidade alguma de se fazer notar - nem pelo que se pensa!
Sim, porque há aqueles que sentem a necessidade de expor seus corpos; há o que preferem expor seus gostos musicais, ou cinematográficos, ou poéticos... ou ainda, os que tem o desejo narcisista de expressar sua idéias polêmicas, desafiadoras, apaixonadas e nada originais( na maioria das vezes ).
Eu não!!! Se me perguntarem, respondo. Se puxarem assunto, eu embarco. Se não, não.
Podem chamar de preguiça existencial. Será que é isso? O mundo hoje aplaude o Pró-ativo, o Re-ativo está fora de moda e fora do mercado de trabalho, diga-se de passagem... Bem, no campo profissional, eu ainda estou na batalha...
O fato é: estou preferindo ler, ao invés de escrever; ouvir, ao invés de falar; absorver, em vez de exprimir; observar, em vez de se fazer notar...
Uma coisa tenho buscado: ser em vez de dizer que sou; viver em lugar de falar de como seja a vida; e ir caminhando, Nele que é O Caminho, A Verdade e A Vida.
No mais... creio que minhas forças serão renovadas. E isso, também Nele.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Não é (apenas) o que parece...
Graça e Paz, Amados!
Gosto de assistir a um programa de televisão chamado Dr.Hollywood, onde a temática do programa é, resumidamente, mostrar os ricos e milionários de Beverly Hills ( especialmente mulheres ) passando pelos mais diversos casos de cirurgia plástica. No programa, mostra-se muitos casos que até chegam a ser doentios, tudo vale pela aparência, pela divinização do exterior; é a tão comentada ditadura da beleza. Enfim... a despeito dos casos com pacientes paranóicas com sua aparência, desfrutando de rios de dinheiro para se transformarem na 'boneca' Barbie de sua preferência, criei uma simpatia pelo médico cirurgião-plástico mais famoso do Dr.Hollywood, que por sinal é um brasileiro; o Dr. Robert Rey. Não suporto ver as cenas reais das cirurgias; só quem tem estômago pra isso! O que realmente me prende ao programa são os curiosos detalhes da vida do Dr.Rey entre uma cirurgia e outra. Além das diversas histórias de vidas humanas, que revelam as prioridades das pessoas, suas obstinações, suas vaidades tolas e absurdamente insanas ao ponto de se buscar incessantemente o 'parecer' em detrimento ao 'ser'.
O Dr. Rey vive em uma mansão caríssima (vale alguns bilhões de dólares) em Beverly Hills, digna de qualquer super astro de Hollywood, ele é especialista em cirurgias plásticas formado em Harvard, e tem um currículo invejável. Um homem que vive, literalmente, de aparência. Tem uma esposa paranóica com magreza, uma filhinha chamada Sidney, e entre roupas de grife famosas (com seu estilo colorido, chamativo e espalhafatoso com classe) , e seus carros Ferrari, BMW e outros... O que mais me chama a atenção nesse homem, é a sua, quase inacreditável, simplicidade de ver as coisas. O que realmente prende minha atenção ao programa, são as surpreendentes revelações desse médico-pop-star. Certa vez, ele estava a mostrar um novo modelo de silicone, que no momento era a febre das endinheiradas de Miami; e ao mostrar o produto, ele, até parecendo ser contraditório com sua própria profissão, soltou: Veja isso! Pra quê isso? Por que as mulheres precisam disso para serem felizes?... Outra vez, eu me emocionei, com o episódio em que ele estava se preparando para tirar sua faixa-preta em Taekuondo e se mostrou um homem extremamente sensível e simples. Dizia ele: eu gosto da simplicidade, essa vida de glamour, de luxo, não sou eu... e no mesmo episódio ele contava parte da sua história de vida, quando ainda menino no Brasil, certa vez seu pai disse que ele não servia para nada, que ele não faria nada bem na vida, que ele era um total fracasso; e entre lágrimas, ele dizia: meu pai, não foi um bom pai, um bom marido, não teve estudo... e eu consegui ser tudo que ele não foi; eu sou, ou procuro ser, um bom pai, um bom esposo, estudei, me formei, e olhem onde eu estou... e mostrava uma alegria extasiante ao conseguir sua faixa-preta... realmente era algo especial para ele. E acho que foi impossível ter assistido e não ter se emocionado com o homem que vive do belo, do exteriótipo perfeito ter mostrado um pouco do seu interior frágil, das mazelas da alma, do ser que se chama humano.
Mas, para mim, um dos momentos inesquecíveis, das maravilhosas surpresas que o Dr. Rey me proporcionaram, foi num episódio em que ele fez uma viagem a uma cidade pobre da América Latina (não lembro o país), em que ele participou de um mutirão de cirurgias-plásticas para uma comunidade carente, onde ele chegou a realizar quinze cirurgias por dia; e ali, no meio daquele povo pobre, miserável, na verdade, as pessoas vinham em busca dele para uma cirurgia que não era por causa da vaidade insana, do supérfluo, mas por pura necessidade de se manter ao menos, como uma pessoa 'normal' no mundo. Eram casos de lábios leporinos; deformidades de nascença, por acidentes... Enfim, pessoas que realmente careciam de uma cirurgia plástica. Mas, paradoxalmente, foi em meio a essas deformidades, que ao meu ver, o Dr. Rey conseguiu enxergar beleza. Notava-se nitidamente sua percepção do que é feito o mundo, inclusive, ele mesmo testificou isso, quando disse: Gente, isso é o mundo real, não é aquilo que vejo em Miami, em Beverly Hills, aquilo tudo é superficial, é glamour... Isso aqui é o mundo real. E, após ter voltado daquela viagem, visivelmente tocado com 'o mundo real' como ele afirmou, deixou escapar um desejo, que a primeira vista, para muitos, pode parecer demagogia, mas, eu prefiro acreditar que seja verdade. Disse o Dr. Robert Rey destemidamente: Eu quero, futuramente, daqui a alguns anos, ser um missionário em comunidades carentes como aquela, talvez em algum lugar do Amazonas, dentro da floresta... Não um missionário da Palavra de Deus, mas um missionário de cirurgias... Eu quero poder ajudar as pessoas com aquilo que eu sei fazer.
Aquilo me marcou, pois, independente do que ele disse ser sincero ou não ( eu teimo em crer que seja, por tudo que tenho visto no semblante do Dr. Rey), aquela afirmação me trouxe uma forte convicção de fé: o que temos recebido de Deus, como dom, como talento, que temos deixado de abençoar as vidas ao nosso redor? O Dr. Rey certamente recebeu o dom de fazer cirurgias minunciosas, sem deixar cicatrizes; e creio que um dia ele usará isso como uma missão de vida mesmo, para abençoar outras vidas. Por hora, ele só consegue ser uma bênção para as pobre-ricas que não são menos dignas da nossa compaixão por suas almas, tanto quanto as criancinhas moribundas de países pobres.
Eu não sei se o Dr. Robert Rey seria um bom exemplo ou se seria sequer um exemplo, mas para mim, que gosto de observar; que gosto de ver através das coisas simples da vida; que tento ver além das aparências; que busco o que cada situação tem a me ensinar; que vejo num programa de televisão que trata da beleza exterior como um deus a ser seguido ( é literalmente o culto ao corpo, ao padrão-ditadura exigido pelo mundo moderno ), que vejo uma beleza que não é aparente, vejo um médico bem sucedido, no topo da sua profissão, mas que ao ter chegado no topo, percebe que precisa descer e se fazer igual a todo mundo, e que necessita ser útil ao seu próximo, e que o que ele vive (em meio a riquezas e aparentes satisfações) o que realmente satisfará sua alma será servir ao seu próximo, será fazer o bem, será viver, de alguma forma, o amor que se doa, o amor que o fará um missionário de cirurgias...
Naquele dia, O Senhor Jesus também fez uma cirurgia em mim, usando o Dr. Rey, tirando algumas escamas dos meus olhos e me fazendo enxergar nitidamente, o que eu já vislumbrava por vultos que às vezes me apareciam; que eu preciso usar os meus dons e talentos a serviço do próximo. A questão é: eu estarei usando para as pessoas que podem me tornar 'famosa, rica e conhecida', que me aplaudem, que me reverenciam - tal como as pacientes ricas do Dr. Rey - ou estarei usando os meus talentos para aqueles que realmente precisam, e não tem com que pagar? Na verdade, esse seria o verdadeiro 'pagamento': a satisfação de saber que se está caminhando em fé, fazendo a vontade de Deus, realizando aquilo que Ele o capacitou a fazer, trazendo Vida às pessoas.
Em Cristo, que nos chama ao amor, em atitudes
Cileide Cabral
Gosto de assistir a um programa de televisão chamado Dr.Hollywood, onde a temática do programa é, resumidamente, mostrar os ricos e milionários de Beverly Hills ( especialmente mulheres ) passando pelos mais diversos casos de cirurgia plástica. No programa, mostra-se muitos casos que até chegam a ser doentios, tudo vale pela aparência, pela divinização do exterior; é a tão comentada ditadura da beleza. Enfim... a despeito dos casos com pacientes paranóicas com sua aparência, desfrutando de rios de dinheiro para se transformarem na 'boneca' Barbie de sua preferência, criei uma simpatia pelo médico cirurgião-plástico mais famoso do Dr.Hollywood, que por sinal é um brasileiro; o Dr. Robert Rey. Não suporto ver as cenas reais das cirurgias; só quem tem estômago pra isso! O que realmente me prende ao programa são os curiosos detalhes da vida do Dr.Rey entre uma cirurgia e outra. Além das diversas histórias de vidas humanas, que revelam as prioridades das pessoas, suas obstinações, suas vaidades tolas e absurdamente insanas ao ponto de se buscar incessantemente o 'parecer' em detrimento ao 'ser'.
O Dr. Rey vive em uma mansão caríssima (vale alguns bilhões de dólares) em Beverly Hills, digna de qualquer super astro de Hollywood, ele é especialista em cirurgias plásticas formado em Harvard, e tem um currículo invejável. Um homem que vive, literalmente, de aparência. Tem uma esposa paranóica com magreza, uma filhinha chamada Sidney, e entre roupas de grife famosas (com seu estilo colorido, chamativo e espalhafatoso com classe) , e seus carros Ferrari, BMW e outros... O que mais me chama a atenção nesse homem, é a sua, quase inacreditável, simplicidade de ver as coisas. O que realmente prende minha atenção ao programa, são as surpreendentes revelações desse médico-pop-star. Certa vez, ele estava a mostrar um novo modelo de silicone, que no momento era a febre das endinheiradas de Miami; e ao mostrar o produto, ele, até parecendo ser contraditório com sua própria profissão, soltou: Veja isso! Pra quê isso? Por que as mulheres precisam disso para serem felizes?... Outra vez, eu me emocionei, com o episódio em que ele estava se preparando para tirar sua faixa-preta em Taekuondo e se mostrou um homem extremamente sensível e simples. Dizia ele: eu gosto da simplicidade, essa vida de glamour, de luxo, não sou eu... e no mesmo episódio ele contava parte da sua história de vida, quando ainda menino no Brasil, certa vez seu pai disse que ele não servia para nada, que ele não faria nada bem na vida, que ele era um total fracasso; e entre lágrimas, ele dizia: meu pai, não foi um bom pai, um bom marido, não teve estudo... e eu consegui ser tudo que ele não foi; eu sou, ou procuro ser, um bom pai, um bom esposo, estudei, me formei, e olhem onde eu estou... e mostrava uma alegria extasiante ao conseguir sua faixa-preta... realmente era algo especial para ele. E acho que foi impossível ter assistido e não ter se emocionado com o homem que vive do belo, do exteriótipo perfeito ter mostrado um pouco do seu interior frágil, das mazelas da alma, do ser que se chama humano.
Mas, para mim, um dos momentos inesquecíveis, das maravilhosas surpresas que o Dr. Rey me proporcionaram, foi num episódio em que ele fez uma viagem a uma cidade pobre da América Latina (não lembro o país), em que ele participou de um mutirão de cirurgias-plásticas para uma comunidade carente, onde ele chegou a realizar quinze cirurgias por dia; e ali, no meio daquele povo pobre, miserável, na verdade, as pessoas vinham em busca dele para uma cirurgia que não era por causa da vaidade insana, do supérfluo, mas por pura necessidade de se manter ao menos, como uma pessoa 'normal' no mundo. Eram casos de lábios leporinos; deformidades de nascença, por acidentes... Enfim, pessoas que realmente careciam de uma cirurgia plástica. Mas, paradoxalmente, foi em meio a essas deformidades, que ao meu ver, o Dr. Rey conseguiu enxergar beleza. Notava-se nitidamente sua percepção do que é feito o mundo, inclusive, ele mesmo testificou isso, quando disse: Gente, isso é o mundo real, não é aquilo que vejo em Miami, em Beverly Hills, aquilo tudo é superficial, é glamour... Isso aqui é o mundo real. E, após ter voltado daquela viagem, visivelmente tocado com 'o mundo real' como ele afirmou, deixou escapar um desejo, que a primeira vista, para muitos, pode parecer demagogia, mas, eu prefiro acreditar que seja verdade. Disse o Dr. Robert Rey destemidamente: Eu quero, futuramente, daqui a alguns anos, ser um missionário em comunidades carentes como aquela, talvez em algum lugar do Amazonas, dentro da floresta... Não um missionário da Palavra de Deus, mas um missionário de cirurgias... Eu quero poder ajudar as pessoas com aquilo que eu sei fazer.
Aquilo me marcou, pois, independente do que ele disse ser sincero ou não ( eu teimo em crer que seja, por tudo que tenho visto no semblante do Dr. Rey), aquela afirmação me trouxe uma forte convicção de fé: o que temos recebido de Deus, como dom, como talento, que temos deixado de abençoar as vidas ao nosso redor? O Dr. Rey certamente recebeu o dom de fazer cirurgias minunciosas, sem deixar cicatrizes; e creio que um dia ele usará isso como uma missão de vida mesmo, para abençoar outras vidas. Por hora, ele só consegue ser uma bênção para as pobre-ricas que não são menos dignas da nossa compaixão por suas almas, tanto quanto as criancinhas moribundas de países pobres.
Eu não sei se o Dr. Robert Rey seria um bom exemplo ou se seria sequer um exemplo, mas para mim, que gosto de observar; que gosto de ver através das coisas simples da vida; que tento ver além das aparências; que busco o que cada situação tem a me ensinar; que vejo num programa de televisão que trata da beleza exterior como um deus a ser seguido ( é literalmente o culto ao corpo, ao padrão-ditadura exigido pelo mundo moderno ), que vejo uma beleza que não é aparente, vejo um médico bem sucedido, no topo da sua profissão, mas que ao ter chegado no topo, percebe que precisa descer e se fazer igual a todo mundo, e que necessita ser útil ao seu próximo, e que o que ele vive (em meio a riquezas e aparentes satisfações) o que realmente satisfará sua alma será servir ao seu próximo, será fazer o bem, será viver, de alguma forma, o amor que se doa, o amor que o fará um missionário de cirurgias...
Naquele dia, O Senhor Jesus também fez uma cirurgia em mim, usando o Dr. Rey, tirando algumas escamas dos meus olhos e me fazendo enxergar nitidamente, o que eu já vislumbrava por vultos que às vezes me apareciam; que eu preciso usar os meus dons e talentos a serviço do próximo. A questão é: eu estarei usando para as pessoas que podem me tornar 'famosa, rica e conhecida', que me aplaudem, que me reverenciam - tal como as pacientes ricas do Dr. Rey - ou estarei usando os meus talentos para aqueles que realmente precisam, e não tem com que pagar? Na verdade, esse seria o verdadeiro 'pagamento': a satisfação de saber que se está caminhando em fé, fazendo a vontade de Deus, realizando aquilo que Ele o capacitou a fazer, trazendo Vida às pessoas.
Em Cristo, que nos chama ao amor, em atitudes
Cileide Cabral
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